Mudar de país é um projeto de vida que envolve inúmeros desafios, e quando a família inclui um membro de quatro patas, o planejamento ganha uma camada extra de complexidade. A logística de transporte internacional de animais é rigorosa, técnica e segue padrões internacionais rígidos.
Se você está nos primeiros meses de organização da viagem do seu cão ou gato, é perfeitamente normal se sentir bombardeado por informações desencontradas na internet.
Para ajudar você a dar os primeiros passos com segurança, reunimos as 4 principais dúvidas que todo tutor enfrenta na fase inicial do processo.
O erro mais comum é focar primeiro na compra da passagem aérea. O ponto de partida absoluto de qualquer viagem internacional para pets é a antecipação sanitária.
Cada país possui exigências específicas. Enquanto destinos como os Estados Unidos exigem o cumprimento estrito das regras atualizadas do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), rotas para o Japão ou para a União Europeia exigem uma cronologia rigorosa de vacinação e exames que podem levar de 3 a 7 meses para serem concluídos.
O primeiro passo real é mapear as regras do país de destino e verificar o histórico de saúde atual do seu animal.
Não. Este é um dos pontos mais críticos e que mais geram reprovações nos aeroportos. As companhias aéreas não aceitam caixas de transporte comuns compradas em pet shops convencionais sem critérios técnicos.
O contêiner do seu pet precisa seguir à risca as regulamentações da IATA (Associação Internacional de Transportes Aéreos). A caixa (kennel) deve:
Ser feita de material rígido e resistente (plástico injetado, madeira ou metal — nunca dobrável).
Ter trincos de metal e parafusos fixando as partes superior e inferior.
Garantir espaço suficiente para que o animal consiga ficar em pé, dar uma volta completa de $360^\circ$ em torno do próprio eixo e deitar-se confortavelmente.
Se o tamanho for calculado de forma errada, o embarque do animal será negado no balcão da companhia aérea.
A modalidade de viagem depende do peso do animal, da raça e, principalmente, das regras da companhia aérea e do país de destino.
Na cabine: Reservado apenas para animais de pequeno porte (geralmente até 7 kg ou 8 kg, somando o peso do pet e da bolsa de transporte), dependendo da empresa.
Excesso de bagagem (Despachado no porão): O pet viaja no mesmo voo que o tutor, em um compartimento climatizado e pressurizado.
Carga Viva (Manifested Cargo): O animal viaja em um processo logístico independente, com documentação própria (conhecimento de aérea - AWB). É a modalidade obrigatória para alguns destinos internacionais (como Reino Unido e Austrália) e para animais de grande porte ou que viajam desacompanhados.
Essa é uma das maiores preocupações de tutores de raças como Pug, Bulldog, Shih Tzu, ou gatos Persas. Devido à anatomia respiratória desses animais, eles são mais suscetíveis ao estresse térmico.
Muitas companhias aéreas comerciais proíbem o transporte dessas raças no porão devido às restrições térmicas rigorosas. No entanto, a viagem é possível, desde que seja feita por meio de rotas planejadas cirurgicamente, utilizando companhias que possuem protocolos específicos de bem-estar animal, horários de voo que evitem picos de calor e caixas de transporte com dimensões maiores do que o padrão para garantir máxima ventilação.
O maior risco em uma viagem internacional de pets não é o voo em si, mas a burocracia. Um erro de digitação de um único dígito no número do microchip ou a falta de um endosso oficial do órgão governamental responsável pode resultar em quarentena forçada no destino ou até na repatriação do animal.
Se você está na fase inicial, a recomendação de ouro é buscar uma consultoria especializada para auditar cada etapa do processo e garantir que o seu melhor amigo chegue ao destino final com total segurança e zero imprevistos.
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